A eleição e o desafio da safra 2021

Gualter Baptista Júnior*

O trabalho na safra atual, que representou um salto de qualidade para o mercado internacional e uma grande oportunidade ao produtor de tabaco, tornou-se também um imenso desafio por ter sido a safra marcada pela pandemia do novo coronavírus. Assim como outros segmentos da economia, nenhum elo da cadeia produtiva do tabaco estava preparado para esta nova realidade. Muitos colaboradores tiveram grandes prejuízos, pois nem todas as empresas tiveram condições de pagar salários integrais a todo o quadro. Algumas conseguiram suportar esta despesa, porém, de modo geral a renda do trabalhador caiu, encolheram os postos de trabalho.
A safra em curso ocorreu em um ano que o trabalhador na indústria do tabaco sentiu muito os impactos da Covid-19, a atividade laboral tornou-se complexa, desafiadora no que se refere a manutenção de empregos e oportunidades, e acena com a mesma incerteza para 2021, especialmente no que se refere aos trabalhadores incluídos nos grupos de risco.
Porém é com otimismo que a Fentifumo olha para a próxima safra. Junto de seus sindicatos filiados nos três estados da Região Sul, mais Minas Gerais, temos uma perspectiva de safra em um ambiente melhor, a partir da retomada do país nas exportações do tabaco de qualidade, com geração de postos de trabalho. Nos preocupa, sim, a absorção da mão de obra.
Ao que tudo indica haverá uma certa retração no volume de contratações, por conta dos efeitos da pandemia na economia global. Nesta hora fica em evidência o nosso trabalho, das entidades que representam os trabalhadores. Nós devemos buscar, junto das empresas, uma atenção especial aos trabalhadores, para que estes não fiquem à margem na próxima safra.
Trabalho que precisa ser compartilhado com as lideranças políticas, para que olhem com carinho para o setor do tabaco, ampliando as ações para coibir o contrabando e redução na carga tributária no segmento. As empresas legais perdendo mercado e competitividade reduzem postos de trabalho e isto, em um mundo em pandemia, pode se tornar mais difícil ainda.
Aproveitando que estamos em período de eleições municipais, queremos lembrar que o tabaco está presente em mais de 600 municípios do país, gerando renda, oportunidade e desenvolvimento para estas comunidades. Nestes municípios – tanto naqueles que concentram a atividade industrial, quanto aos que detêm a produção agrícola, têm nesta atividade a mola propulsora de suas economias. E os gestores municipais, ao lado de seus vereadores, são os indutores das políticas públicas para representar o setor junto ao governo federal.
Queremos saber se estes candidatos à novos governos têm a percepção da importância do tabaco para as suas comunidades. Mais do que um discurso de apoio, esperamos que os nossos futuros novos mandatários municipais possam ser solidários à luta contra o contrabando e às restrições causadas pela elevada carga tributária. Votemos com consciência nisso.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

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