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A responsabilidade social na pandemia

Por mais que analistas e especialistas ou qualquer pessoa que pense que possa prever cenários econômicos, neste momento não se pode desconsiderar que o ser humano é muito frágil e as condições de sua vida podem mudar a qualquer momento. Dizemos isso sem qualquer conotação religiosa. É uma constatação física, de risco de contaminação e morte reais, que impõem que nos adaptemos a uma nova realidade. Esta mudança trazida com a obrigação do isolamento social nos faz ter que criar a condição de adaptação a uma nova realidade, e por isso sofremos. Não somos seres 100% resilientes.

Sofremos, pois não estamos acostumados a uma mudança tão rápida e drástica. As transformações feitas ao longo da vida não são – em sua maioria – repentinas como esta de agora. Teremos que repensar tudo, desde as formas de interação social até a capacidade de acatar as determinações de autoridades sanitárias para preservar a vida. Nossa geração nunca viu isso, talvez os nossos avós e bisavós, sim, sobretudo nas guerras.

Estamos vivenciando esta nova situação de uma posição muito próxima. O coronavírus não está distante, somente em outros países. Está aqui, no nosso dia a dia, convivemos com ele e os riscos que o covid-19 carrega. Estamos em uma nova realidade e por isso precisamos pensar nas relações de trabalho, na falta de renda do trabalhador. As empresas precisam pensar na  relevância social a qual elas têm grande  responsabilidade em garantir.

A Fentifumo acompanhou as negociações junto com seus Sindicatos filiados com todas as empresas. Acompanhamos também todas as medidas e as ações que foram tomadas, primeiro para garantir a saúde física dos trabalhadores, mas também buscou garantir junto às empresas, a saúde financeira do trabalhador.

Muitas organizações apregoam, em cenários favoráveis, no tempo comum, que pensam no próximo, que praticam a responsabilidade social. Aí quando aprece uma crise como esta, pensam em suspender salários. O trabalhador não precisa comer, não tem que receber? Certamente, a maioria dos assalariados não têm reservas financeiras, sem elas, faz-se o quê?

A suspensão de contratos por quatro meses, como simplesmente foi sugerida pelo governo federal é direta: suspenda o trabalho por quatro meses sem pagamento de salário. Ainda bem que foi revogado este decreto. Será que não seria mais justa e sensata a suspensão temporária do pagamento de impostos pelos empregadores e dar condições para que sigam pagando salários? É fácil para as empresas suspenderem contratos e não pagarem salários. O governo segue arrecadando impostos. E ao trabalhador resta o quê? Passar necessidades? É comprovado por diversos estudos que a fome estimular a violência, pois quem fica sem renda, além do no desespero, tem que passar pela humilhação de ter que pedir ajuda de porta em porta. A falta de renda fere a dignidade de qualquer trabalhador.

Esta nova realidade é desafiadora e ninguém está preparado para ela. Estamos tendo que aprender. Esta grande novidade nos mostrará, realmente, como são as organizações responsáveis. Elas também não têm culpa desta situação, mas precisam entender que para permanecerem ativas em seus negócios precisam pensar no trabalhador, que é o elo mais fraco nesta relação contratual.

O governo aguenta sem arrecadar tributos, a empresa também, pois a maioria tem fluxo de caixa para esperar um pouco pelo dinheiro das vendas e das exportações que serão retomadas logo mais. Mas o trabalhador sem sua renda mensal não aguenta 30 dias.

Esperamos que os discursos das empresas que usam os conceitos de sustentabilidade se sustentem neste momento. A sustentabilidade é ancorada no tripé Econômico, Social e Ambiental. Em um cenário normal eles dizem que aplicam essa Sustentabilidade, mas e agora? O viés ambiental se torna um pouco irrelevante neste momento de crise. O Econômico, certamente sai abalado. E o Social, fica de que jeito?

Suspender o contrato pode condenar o trabalhador a uma situação trágica. Esperamos que isso seja evitado. Demissão não deveria ser a primeira opção do empregador. No momento de fartura, os recursos humanos são preciosos, mas nos momentos de crise são descartados? Que a gente reveja as relações de empresa e trabalhador de uma forma positiva, e que a gente possa achar, em conjunto, a melhor forma de minimizar, para todos, esta situação sem precedentes em nosso tempo. A Fentifumo conclama às empresas para que possamos juntos buscarmos os melhores caminhos que sejam benéficos a todos.

Gualter Baptista Júnior

Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração.

O Imposto do pecado (parte 2)

Gualter Baptista Júnior*

O tema – um novo imposto para cigarros, bebidas e produtos com açúcar -, o chamado “Imposto do Pecado”, nos é tão caro que para a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo (Fentifumo), sua repercussão junto aos operários desta cadeia produtiva rendeu pelo menos mais um artigo.

A Fentifumo quer hoje debater o que é ou não pecado. Embora a definição de pecado esteja no campo da crença, cabem aqui indícios científicos de que nosso trabalho não é culpado. E já que estamos falando de estudo, queremos aqui propor um micro-debate.

O mesmo governo que fala em pecado, e por conta disso, usa a religião para justificar um ato em cima da taxação de um produto assim denominado “pecador”, usa a ciência para embasar sua justificativa, descrevendo o cigarro como um produto que faz mal à saúde. Se faz, e isso é a ciência quem diz, não as crenças de Brasília, existem outros produtos capazes de igualmente fazer mal, no entanto, parece que estes não estão no rol das “coisas pecadoras.”

Pecado maior é deixar crianças sem merenda escolar. Idosos sem medicamentos, alunos sem livros, enquanto o material didático vira papel higiênico na reciclagem. Dá para entender que a corrupção é o maior pecado de nossa sociedade crente e pagã?  É ela quem dizima famílias, fecha postos de trabalho e coloca o Brasil num lamaçal sem fim.

Criar um novo imposto, para taxar o pecado é favorecer a corrupção, privilegiando assim o próprio pecado. Hoje, quase a metade do consumo de cigarro é feito em cima de produtos contrabandeados, mais baratos, pois não têm a alta carga tributária, vindos de forma irregular, sem inspeção de qualidade, sendo comercializados em nosso país em todos os lugares, a céu aberto, a vista de todos. Isso é certo?

Taxar o cigarro nacional com mais uma cobrança, chamada de “Imposto do Pecado”, para nós é, no mínimo uma blasfêmia. Uma indulgência do governo que se diz laico, porém precisa entrar no campo da crença para justificar a sua ineficiência fiscal.

Pecador sim é o país que incentiva o desemprego e o abandono ao seu povo, a partir da incapacidade de estancar a mazela da corrupção, do contrabando e do crime organizado. A Fentifumo reforça seu posicionamento em defesa dos trabalhadores da cidade, do campo, irmanada com as demais entidades que são comprometidas com esta cadeia produtiva legal, que vira e mexe é penalizada e agora, na iminência de ser excomungada, com mais um “divino” imposto.

Mestre em Administração e Presidente da Fentifumo

O Imposto do pecado (parte 1)

Gualter Baptista Júnior*

Enquanto o governo insiste na criação de mais um imposto sobre o cigarro, que quiçá deve ser o produto mais taxado deste país, neste momento nos incomoda o nome que a equipe econômica deu para esta proposta.

Para além de ser mais um entrave ao desenvolvimento de nossa cadeia produtiva, chamar o tributo de “Imposto do Pecado” irrita a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo).

Pecado, no dicionário, está descrito como a “violação de um preceito religioso, desobediência a qualquer norma ou preceito, falta, erro.” Nós, os mais de 40 mil trabalhadores da indústria do tabaco, queremos saber qual foi a falta, erro, ou quebra de preceito religioso que nosso produto que é um dos mais exportados do Brasil cometeu.

Quais são os nossos pecados? Trabalhar em favor do desenvolvimento de nossas cidades, ou sustentar mais de 40 mil famílias nas cidades e outras dezenas de milhares no campo? Trabalhar de forma honesta, colaborando com a economia, gerando divisas e receitas para o governo, por ora o nosso inquisidor?

O mais absurdo, acima da possibilidade de encarecermos ainda mais o preço de venda dos cigarros, é taxar este produto como fruto de um pecado, tal qual como matar, roubar, mentir, trair, todos verbetes que na Bíblia são descritos como pecados mortais dos homens.

A Fentifumo acredita que o governo precisa ter mais respeito com a cadeia produtiva do tabaco. Em um estado laico, chamar de “Imposto do Pecado” uma taxação em cima do cigarro e outros produtos como bebidas e doces, é no mínimo, despeitoso.

Se tem alguma ação ou atividade que precisa ser condenada em todas as esferas neste país chama-se Corrupção. Esta sim fere o direito de todos os brasileiros, sejam religiosos ou não, neste contexto mostra-se como um “pecado” muito maior. A corrupção mata, tira dinheiro da saúde, da educação, amplia o desemprego e, consequentemente, a falta de renda, ferindo a dignidade do povo brasileiro.

Esta é mais uma ação, entre tantas outras que mostra que o governo combate, massivamente, a produção de cigarros e toda a cadeia produtiva organizada no campo e na cidade, da qual a Fentifumo participa como ente representativo de toda a mão de obra empregada na atividade ligada a indústria do tabaco em nosso país.

Seguimos confiantes que nossa atividade legal e organizada não é pecadora. Que nosso inquisidor sim, falha na miopia proposital sobre a cadeia produtiva do tabaco. Temos a convicção que o trabalho dos 40 mil brasileiros espalhados nas linhas de produção da indústria do tabaco não é merecedor de mais esta penitência.

Mestre em Administração e Presidente da Fentifumo

Negociação da Souza Cruz e Philip Morris não avança em três cidades

Santa Cruz do Sul – A negociação entre os trabalhadores da indústria do tabaco e as empresas Souza Cruz e Philip Morris ainda não foi 100% concluída. Conforme a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo), o impasse que começou em outubro do ano passado seguirá pelo mês de fevereiro. Em Santa Cruz do Sul, trabalhadores e Souza Cruz não encerraram a pauta, assim como os empregados da Philip Morris em Rio do Sul, em Santa Catarina e dos municípios de Cocos e Jaborandi, na Bahia.

Para o presidente da Fentifumo, Gualter Baptista Júnior, novas reuniões entre os sindicatos e as empresas precisam ser agendadas para a conclusão das negociações. “A Federação acompanha os sindicatos nestas tratativas para a assinatura dos acordos coletivos referentes ao ano de 2019 e 2020, em discussão desde o fim do ano passado”, complementa.

Baptista explica que no caso da Souza Cruz, cuja data-base era o mês de novembro, a falta de acerto ocorre apenas no Rio Grande do Sul. Nas outras unidades da empresa, nas quais os sindicatos são vinculados à Fentifumo, as novas convenções já estão em vigor. “No caso da Philip Morris, existem impasses em Rio do Sul, no estado de Santa Cataria e também nas unidades de Cocos e Jaborandi na Bahia. Nestes dois municípios é a própria Fentifumo que representa os trabalhadores na mesa de negociação”, esclarece o presidente.

Por enquanto JTI e a as demais empresas, cuja data-base era dezembro de 2019, já finalizaram seus acordos. O reajuste dos empregados da JTI, por exemplo, levou em consideração a inflação do último ano, mais o ganho real aprovado pela categoria, resultando no percentual de 2,75%. “Este engloba o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – fechado em 2,55% e um ganho real de 0,20%.”

Chamada de safreiros deve ir até março

O presidente da Fentifumo explica que as contratações de trabalhadores para a safra 2020 seguirá até o mês de março. As primeiras linhas de produção já começaram a ser ocupadas com os primeiros safreiros empregados. “Estamos acompanhando com cautela este processo, pois existe uma perspectiva de redução no volume de empregos por conta da estiagem e a quebra na produção que já prejudica nossos irmãos trabalhadores do campo”, avalia o presidente.

Para a Fentifumo ainda é prematuro divulgar o índice de redução no número de safreiros durante esta safra. Há sólidos indicadores que serão empregados menos trabalhadores nesta safra, porém, ainda é necessário que ocorram todas as contratações para que se divulgue o balanço final de 2020.

FOTO: Jornal Olá/divulgação

Feliz safra nova

Gualter Baptista Júnior*

O ano de 2020 mal começou e nós, da Federação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) estamos a mil, ligados em todos os atos da grande safra do tabaco que começa a ser entregue nas empresas neste mês de janeiro. Estamos otimistas com o trabalho e a boa relação dos nossos sete sindicatos associados com a indústria fumageira. Nossa categoria responde por 40 mil famílias de trabalhadores e trabalhadoras do Sul do Brasil.

A notícia da alta de 20% nas exportações, sobretudo, o bom mercado com a China nos deixa muito otimistas para os grandes desafios que termos ao longo deste ano que ainda é novo. O poder da exportação de tabaco mostra sua força e a sua grandeza, sendo o principal produto vendido pelo Vale do Rio Pardo e o 11º produto mais vendido pelo Brasil lá fora, segundo o próprio Ministério da Economia.

Saudamos com felicidade exte êxito, que reforça a importância do segmento para nossa economia, na geração de emprego e renda, na cidade e no campo. O Brasil é líder mundial na exportação de tabaco, que é o principal produto que move a nossa força de trabalho.

A chuva que veio para refrescar o verão quente chegou tarde a grande parte de nossas lavouras que tendem a colher cerca de 30% menos neste ano. Olhamos com zelo para este número, que poderá representar numa redução no número de colegas trabalhadores da safra, chamados a menos neste ano.

A preocupação ronda nossas linhas de produção que poderão receber menos trabalhadores, ou poderão ter contratos menores, com menos dias de trabalho, salário e benefícios, porque no campo, nossos coirmãos, os agricultores, também amargam a redução na colheita por conta da seca que castigou o Sul, neste verão em curso.

A Fentifumo e os seus sete sindicatos irmanam-se a todos os trabalhadores e seguem lutando ao lado da indústria para garantir uma grande safra, para fortalecer e ainda mais consolidar a nossa atividade que é legal, rentável e move com força a roda da economia nos três estados do Sul do Brasil. Feliz Safra Nova! – Seguimos a luta.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo).

O ano do tabaco passado a limpo

Gualter Baptista Júnior*

Ao encerrarmos o ano de 2019, percebemos que a união ao redor da cadeia produtiva do tabaco torna-se cada vez um compromisso de todos nós, elos deste sistema de produção que garante renda e desenvolvimento do campo à cidade. A Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) passa o ano a limpo para projetar os desafios de 2020.

Seguimos a caminhada rumo à próxima safra, que ao que tudo indica será positiva, grandiosa e fundamental para mantermos e ampliarmos o volume de contratações. O tabaco hoje é um dos principais produtos exportados do Brasil, coloca o nosso país no protagonismo da produção mundial do produto. Nas linhas de produção somos 40 mil famílias que têm, na atividade do tabaco seu sustento com dignidade, contribuindo para a geração de riquezas desta cadeia produtiva.

Lógico que tivemos sobressaltos. Nosso setor é um dos mais perseguidos pelas campanhas contra o consumo de cigarro. Pelo contrabando que domina a venda ilegal de produtos sem origem ou de procedência incerta. E estes percalços refletem em nossa organização, na indústria legal.

A Fentifumo acompanha com preocupação o fechamento de postos de trabalho em empresas com filiais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Reflexos declarados da carência na fiscalização do contrabando e dos impedimentos imputados ao mercado. No entanto, acompanhamos com esperança os atos do novo governo federal, que se mostra sensível a nossa causa. Por tudo isso, a união dos trabalhadores, por meio da Fentifumo e seus sete sindicatos filiados é ainda mais relevante. Somos fortes, somos grandes, somos necessários neste processo.

O ano de 2020 nos reserva grandes desafios. Pela frente mais uma Conferência das Partes – a COP 9, na Holanda, e toda incerteza que ela anuncia. A Fentifumo necessita estar presente à conferência, para mostrar ao mundo que este setor tão combatido, em nosso país é o responsável para mais de 40 mil famílias que tiram o seu sustento e dignidade.

Este setor que é tão importante para o desenvolvimento dos municípios será capaz de superar estas dificuldades, por meio do tripé: indústria, representantes dos produtores e representantes dos trabalhadores devem continuar em sintonia para superar estes desafios. Esta é a nossa visão, estes três agentes precisam seguir trabalhando em parceria.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentifumo)

Somos todos Federação

Gualter Baptista Júnior*

Em um mundo no qual o individualismo tornou-se o ator principal nas relações entre pessoas, cada vez mais necessitamos estar irmanados ao redor de uma causa. E este é o nosso principal objetivo, há quase 30 anos.

Reunimos os Sindicatos, para representar esta categoria de trabalhadores, que apenas no Sul do Brasil corresponde por 40 mil profissionais, vinculados às indústrias do tabaco instaladas em nosso país. São sindicatos fortes que multiplicam sua força em cima da nossa capacidade agregadora, afinal, o que é uma federação se não a união de várias entidades que têm, em sua essência, a defesa dos direitos e das condições melhores de nossos trabalhadores.

A valorização do trabalhador é crucial para o crescimento da empresa. A Fentifumo está empenhada para fazer com que o setor do tabaco possa ser respeitado nos mais variados fóruns já que inegavelmente é um setor que gera prosperidade e, com esse engajamento, buscar garantir que novos postos de trabalhos sejam criados, propiciando a geração de empregos, gerando dignidade nas famílias.

No entanto, sempre é necessário que se acompanhe de perto as lutas que geram conquistas em favor de nossa categoria, estamos presentes. Somos industriais em essência, nós da Fentifumo, somos trabalhadores, como os nossos 40 mil colegas que fazem este segmento ser um dos maiores exportadores, gerador de fonte e renda o trabalhador e para o próprio governo. Somos 100% nosso Trabalhador, somos 100% Sindicato, somos uma Federação.

Igualmente, a Fentifumo caminha ao lado da indústria, que é a responsável por viabilizar a nossa atividade. São empresas comprometidas com a cadeia produtiva do tabaco e com o resultado. Parceiros delas, seguimos na defesa de nossa atividade laboral, dos nossos postos de trabalho e da produção que é constante alvo de ataque. Nosso produto é legal, de qualidade vigiada e feito com a mais alta tecnologia.

Toda e qualquer atividade ou relação deveria ser pautada pelo equilíbrio. A Fentifumo entende que é salutar, também na cadeia produtiva do tabaco, que haja uma relação muito positiva de equilíbrio entre trabalhadores e indústrias. A Federação, juntamente com seus Sindicatos filiados, tem um grande papel que é de buscar essa relação salutar de equilíbrio entre trabalhadores e indústria.

Nossa federação orgulha-se de ser a agregadora de forças entre os sindicatos, nossos colegas trabalhadores e nossas indústrias. O trabalhador precisa do seu emprego e a indústria precisa de bons profissionais. Quando essa relação está em equilíbrio, todos saem ganhando. Assim, a Fentifumo tem um importante papel no que tange a buscar o equilíbrio bem como fazer chegar aos trabalhadores que os Sindicatos e a Fentifumo estão sempre engajados na busca de soluções que atendam os anseios de cada posto de trabalho criado.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo)

A importância da união entre os trabalhadores

Gualter Baptista Júnior*

Em tempos de individualismo queremos refletir sobre a união. Hoje uma palavra que é desconhecida para muitos, porém, vamos agora falar um pouco sobre ela. É necessária, na atual conjuntura. A união faz a força, e por mais clichê que seja esta afirmativa, ela nunca perde a relevância.

Vivemos um momento de rupturas, na quebra de paradigmas e de novos desafios. Neste momento, precisamos caminhar juntos.

Veja o nosso segmento, o setor produtivo do tabaco. Constante alvo de ataques dos mais diferentes setores. Ora pelo governo, ora pelas organizações sociais, internacionais e, principalmente, pelo contrabando que acoita a indústria legal, achatando empregos e o desenvolvimento de nossa atividade.

Neste momento que vivem os sindicatos e a federação, é importante para o trabalhador e para a economia, a unidade que amplifica a relevância dos sindicatos e da nossa Federação. Eles desempenham não só a defesa dos trabalhadores, mas sim, da própria empresa, sendo o elo de ligação entre o trabalhador e a nossa atividade.

O grande papel de nossos sindicatos, neste contexto, é a reinvenção das relações entre o mundo do trabalho e dos trabalhadores. O desafio atual está na continuidade das nossas entidades, e da aproximação delas, de seus trabalhadores, especialmente falando na relação entre os empregos e o mercado de trabalho.

É neste momento de reflexão que nós, da Fentifumo, nos colocamos irmanados com os nossos sindicatos. Neste novo modelo de atuação das entidades e sua relação com os trabalhadores, na postura dos sindicatos junto às empresas. Estamos nos reinventando, pois isto é necessário para nossa continuidade e para o bem-estar de nossos trabalhadores.

Uma entidade forte, com elos saudáveis, pode proporcionar o equilíbrio de forças entre as empresas e os trabalhadores. Isto é indispensável para que se saiba que os sindicatos defendem os trabalhadores, brigam pelos seus direitos, e no nosso caso, no caso do tabaco, seguem irmanados na luta e defesa por nossa atividade.

O papel da Fentifumo é difundir, também, esta visão moderna dos sindicatos. Entidades q que se aprimoram no trato e negociação dos direitos do trabalhador com as empresas, fazendo jus à realidade dos novos tempos. Os sindicatos estão seguindo seus preceitos fundamentais, que estão ligados intimamente à defesa dos trabalhadores e da nossa atividade. Seguimos juntos, pois unidos somos muito mais fortes.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo)

O Brasil que perdeu o controle para o contrabando

Gualter Baptista Júnior

Mais uma entidade de pesquisa reafirma aquilo que nós, do mercado legal de tabaco temos a certeza que acontece. Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, especialista em mercado e varejo, revelou que 49% do cigarro consumido em nosso estado vem de contrabando.

São dados publicados por institutos independentes, que não monitoram apenas o cigarro, mas outros setores da economia que não são afetados pelo contrabando. A Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins, a Fentifumo, segue acompanhando isto com muita preocupação. O Brasil ainda continua perdendo seu mercado legal para o contrabando, que continua, por sua vez, dominando o mercado nacional.

Quando se fala no combate ao contrabando, se fala no poder de gerar postos de trabalho, fazendo com que se diminua o número de desempregados. Tudo isso também tem efeito positivo sobre a criminalidade. O combate ao mercado ilegal enfraquece o crime organizado.

O que nos deixa muito preocupados, como entidade representativa dos trabalhadores, é que diversos institutos renomados estão divulgando dados, comprovando o malefício do contrabando e os números expressivos dele, e não acontece nada. Citamos os números do Rio Grande do Sul, mas no caso do Paraná, por exemplo, sabe-se que 65% do consumo de produtos do tabaco vêm de contrabando. O governo federal reconhece algo entre 38 a 40%%, a nível nacional. Mas o fato de reconhecer estes índices é, também, um atestado de que perdeu o controle.

O emprego está migrando para os países de origem do contrabando. Veja o caso Paraguai. Lá a demanda de consumo seria cinco bilhões de cigarros ao ano, no entanto, as indústrias do país produzem 60 bilhões. É uma conta que não fecha, para onde vai toda esta produção? O que nos deixa aflitos e angustiados é que estamos perdendo estes postos de trabalho, pois não temos nenhum poder de polícia, e temos que ficar observado a situação apenas. Nesta sangria de postos de trabalho fechados estamos vendo o contrabando predominar em nosso país.

Fica a discussão de sempre, a respeito do combate que não é eficiente. É lamentável, pois, as ações são paliativas e não estão conseguindo lograr êxito. Ou reprimimos o contrabando de uma maneira ferrenha, ou o contrabando acaba com o mercado legalmente constituído.

Presidente da Federal Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo)

Ainda que seja apenas um emprego, sempre será uma derrota

Gualter Baptista Júnior*

É com um sentimento de frustração e com uma preocupação sem precedente que a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) tem acompanhado o fechamento de unidades industriais de empresas tradicionais do ramo do tabaco, diante da inércia no combate ao contrabando, por parte do governo federal brasileiro.

Ainda que seja apenas um posto de trabalho fechado, sob a justificativa de readequação de processos, por parte da indústria, sinaliza que a indústria formal, o mercado legalmente constituído perde a batalha contra o cigarro ilegal no nosso país.

É devastador dizer para um funcionário que ele está demitido. Ainda que seja uma única demissão, o efeito cascata é imenso. É provável que este demitido reduza o consumo de serviços, pare de comprar produtos no comércio. Uma unidade fabril que fecha, e temos aqui três ajustes desta natureza: as unidades de compra de Sombrio e a fábrica de Blumenau, da Souza Cruz em Santa Catarina, e a unidade de compras da Philip Morris Brasil em Santa Cruz do Sul, fechadas para ajustar o trabalho à realidade das empresas que encolhem diante do contrabando de cigarro são uma catástrofe para suas comunidades, sobretudo para os trabalhadores que forem dispensados.

Não é a quantidade de demissões, e sim as demissões. Estamos perdendo espaço para o mercado ilegal, enquanto o governo federal se vangloria de uma falácia. Comemora a restrição ao tabaco, o que chama de redução gradual do consumo de cigarros, quando o consumo segue o mesmo, quem sabe até maior, para o lado do contrabando, que já responde por mais da metade do cigarro vendido dentro do Brasil. Que redução é esta, se não a da indústria legal, das empresas que geram riqueza, divisas e impostos para o Brasil, que dão emprego e dignidade no campo e na cidade.

Ainda que seja apenas um emprego, ou pouco mais que isso, cada vez que encerrarmos um posto de trabalho para o contrabando, podemos nos considerar derrotados para este problema que degrada a cadeia produtiva legal e formalmente constituída. A Fentifumo é solidária aos trabalhadores que perderam seus empregos em Santa Cruz do Sul, Sombrio e Blumenau, e segue engajada aos demais elos da cadeia produtiva organizada, na mobilização contra o cerceamento da atividade legal, contra o contrabando e as penalidades impostas ao setor. Ainda que seja apenas um emprego, estaremos sempre alerta.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Fumo e Afins (Fentifumo)