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O tropeço na Covid-19

Pelo segundo ano consecutivo, o mundo todo, e especialmente o setor produtivo do tabaco, tropeça na pandemia do coronavírus. Preocupados observamos o atraso nas contratações, percebemos a safra primorosa que ainda não deslanchou e tentamos manter viva a centelha da esperança nos dias melhores novamente.
A pandemia nos trouxe várias lições – e parte deste legado acaba sendo positivo – como as práticas sanitárias que adotamos. A “descoberta” do teletrabalho das novas formas de estar presente. Do cuidado e do empenho da indústria em cooperar com a manutenção da saúde de seus colaboradores e da necessidade de mantê-los ativos de alguma forma.
O vírus também cumpriu um papel de polícia, de Justiça, fiscalizadora e repressora ao contrabando, que teve seus índices reduzidos a patamares menores, favorecendo a própria produção legal e nacional, açoitada diariamente pelo flagelo do contrabando e do descaminho, que no setor industrial do tabaco são tão perigosos quanto a Covid-19 e toda a sua devastação.
Porém, novamente tropeçamos. O obstáculo que nos faz titubear impede que a nossa safra de excelente qualidade possa colocar a todo o vapor as nossas fábricas que têm a necessidade de processar, fabricar e comercializar para todo o mundo. O ano de 2021 deveria ser de uma retomada histórica, por conta da própria pandemia que impediu negócios já em 2020.
O tropeço da Covid nos faz esbarrar na projeção de empregos, de um “velho” normal, com trabalhadores empregados, esteira cheia de tabaco, comida na mesa e impostos fazendo com que nossa região continue pujante.
O que nos faz levantar deste tropeço está ligado à própria força da nossa mão de obra, que se dobra, mas não quebra. São homens e mulheres que trabalham com dedicação para fazer deste setor um dos mais fortes da Região Sul. Na potência da indústria legal que enfrenta uma “pandemia” por ano para combater o descaminho e cumprir com as exigências de legislação e restrições ao produto. Força que é reflexo do trabalho no campo, que de sol a sol mobiliza famílias a planejarem um amanhã melhor, mais rico e cheio de vida.
Esta é, sobretudo, a força que nos leva a crer que logo ali adiante levantaremos deste pequeno tropeço, que nos leva a refletir mais uma vez sobre importância do cuidarmos uns dos outros, para que no futuro que se avizinha, nossos planos e projetos desta safra, e de todas as outras que hão de vir sim, tornem-se de fatos ações e realizações concretas. Vamos levantar novamente, não esqueçamos disso, é só um tropeço.

*Gualter Baptista Júnior
Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

Quem perde com o enfraquecimento sindical?

Gualter Baptista Júnior*

Há pouco mais de dois anos recebemos com expectativa a Reforma Trabalhista, criada para alavancar a economia e gerar empregos em nosso país. Ao final de 2017, vimos as novas regras que enfraqueceram a representatividade dos sindicatos, demonizando a entidade diante dos trabalhadores e abrindo caminho para acertos paralelos diretos entre patrões e empregados. Enfraqueceram o sindicalismo, prejudicando os trabalhadores. Um ano depois, em dezembro de 2018, elas entraram em vigor, para quê, mesmo?
Ouvimos atentamente que seriam anos da retomada, da implementação das novas regras e da organização do mercado para enfim, gerar mais empregos. Aguardamos com a mesma expectativa 2019, que foi mais um ano onde se esperava o crescimento do emprego, baseado nas reformas… Em resumo, foram dois anos de enfraquecimento dos nossos sindicatos, da derrubada de direitos conquistados pelos trabalhadores.
O próximo ano, 2020, seria promissor. Seria… Se desta vez a expectativa não fosse frustrada pela pandemia. E aí – somente aí – há que se fazer um parêntese: realmente, as economias foram destroçadas. Trabalhadores perderam seus empregos enquanto parte da economia remava para não afundar com o efeito nefasto da Covid-19.
Em meio ao turbilhão do caos causado pela pandemia um dos setores mais importantes da nossa região manteve-se forte, à espera de reformas. Nosso tabaco que gera receita do campo aos grandes centros urbanos, emprega milhares de trabalhadores em suas linhas de produção, manteve o vigor, respeitando todos os cuidados necessários, mantendo a famosa roda da economia girando. Os próprios dados da indústria, das exportações, revelam que mesmo com a dificuldade homérica de manter o trabalho, as chaminés do tabaco estiveram aquecidas.
Este segmento que espera por uma reforma. Uma mudança de conceito, um respeito ao trabalho legalizado, que gera receita, renda e riqueza por onde passa, espera pelo fim do contrabando. Pelo fortalecimento da atividade e o reconhecimento de que a produção do tabaco, seus derivados e sua mão de obra engrossam o bolo da economia nacional. Nós da Fentifumo esperamos por isso.
Estamos na expectativa também dos empregos que viriam na carona da reforma que tirou força do trabalhador organizado. Nos irmanamos às demais federações e todos os sindicatos, de todas as categorias de trabalhadores, para que juntos reconquistemos o nosso prestígio junto ao governo e retomemos a confiança dos nossos colegas associados. Quem perde com o enfraquecimento sindical? A gente responde: todos nós, brasileiros, trabalhadores e lutadores desta nação.

*Presidente da Federação Nacional das Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

2020: um ano de aprendizado e oportunidade

*Gualter Baptista Júnior

Ao encerrarmos o ano de 2020, olhando para tudo que vivenciamos neste período, concluímos que este pode ser dado como um ano de aprendizado e de oportunidade. É inegável que 2020 foi um ano de dificuldade, pois muitos setores da economia foram afetados e ainda passarão por dificuldades, neste ano, o mundo se deparou com uma nova realidade. No entanto, A Fentifumo olha para este ano como um grande aprendizado.
Muitas pessoas olham para 2020 e dizem que ele não deveria ter existido no calendário, que deve passar logo… Eu o vejo de uma forma diferente. Os impactos sociais, financeiros e na saúde foram grandes, mas o ano que termina nos trouxe a grande capacidade de se reinventar, buscar alternativas e fazer diferente. Muitas vezes, a gente olha para o sistema financeiro e esquece do bem-estar, do individual. Foi um ano para se repensar a vida e as relações sociais.
E neste quesito a Federação presenciou a reinvenção das relações do trabalho. As empresas tiveram que se readequar, se precaver às contaminações, para minimizar o impacto na atividade fabril, assim como nos custos e na saúde do trabalhador. Verificou-se que a mão de obra é essencial às atividades e que é possível criar uma flexibilização ao trabalho remoto, por exemplo.
Especificamente, o setor de tabaco nos demonstrou duas situações. Um setor que confirmou a robustez da atividade, ao adotar medidas de segurança, mostrou-se sólido e comprometido com o controle de contaminação e com o trabalhador. As empresas bancaram um grande número de trabalhadores afastados, seja por conta das restrições dos grupos de risco, ou pelo próprio trabalho à distância, minimizando a quantidade de trabalhadores nas linhas, por causa das restrições. A mão de obra extremamente qualificada foi valorizada por este setor robusto de nossa economia.
Outro ponto que merece destaque, em nossa avaliação, como presidente da Fentifumo, é a queda no contrabando. Caiu o contrabando e isto teve impacto imediato nos postos de trabalho e na arrecadação. O aumento de trabalho nas empresas legalmente constituídas teve interferência direta da redução no contrabando. E porque caiu o contrabando? Pois a Covid-19 fez o papel de polícia de fiscalização, fechando as fronteiras, para evitar o contágio da doença e reduzindo o contrabando. Isto serve de exemplo para o governo: combater o contrabando é uma questão de vontade política, pois a pandemia fortaleceu a indústria legalmente constituída, às custas do fechamento sanitário das fronteiras.
Estas são as duas grandes lições e oportunidades de 2020, que apesar de todas as dificuldades trouxe aprendizados, que deverão ficar para o chamado “novo normal”. A pandemia exibiu as possibilidades que o setor do tabaco apresentou, mostrando formas de contratação e retenção de pessoas na operação. Mostrou-se a importância do segmento legalmente construído, por conta de tudo isso que destacamos aqui.
Olhando para 2021 a Fentifumo enxerga grandes perspectivas, começando pela previsão de uma safra de tabaco muito boa, com grande qualidade, o que fará o tabaco brasileiro ser valorizado no exterior. Isto acontecendo, as indústrias precisam comprar, processar e contratar. A empresa legalmente constituída irá gerar renda, prosperidade e dignidade, em uma cadeia virtuosa.
Otimismo que pauta a possibilidade de que as autoridades ampliem o cerco ao contrabando e às mazelas sociais causadas por ele. Na perspectiva da vacina e das ações de combate à pandemia, seguimos otimistas com relação ao novo ano, que trará, certamente, um novo caminhar para todos nós, que reaprendemos a adequar os espaços e as relações sociais, coletivas e de trabalho. O ano de 2021 será um grande momento de retomada e ampliação do mercado. Desejamos que todos os colaboradores deste setor sigam dando seu melhor, na busca pela qualificação do trabalho. Seguiremos na batalha, junto às entidades e governos, na luta pelo respeito à cadeia produtiva do tabaco que traz benefícios econômicos, sociais, que realiza sonhos e da expectativa de dias melhores a todos nós. Dias melhores virão e a Fentifumo seguirá aqui, ao lado do trabalhador, dos sindicatos e indústrias desta cadeia legalmente constituída.

Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

A eleição e o desafio da safra 2021

Gualter Baptista Júnior*

O trabalho na safra atual, que representou um salto de qualidade para o mercado internacional e uma grande oportunidade ao produtor de tabaco, tornou-se também um imenso desafio por ter sido a safra marcada pela pandemia do novo coronavírus. Assim como outros segmentos da economia, nenhum elo da cadeia produtiva do tabaco estava preparado para esta nova realidade. Muitos colaboradores tiveram grandes prejuízos, pois nem todas as empresas tiveram condições de pagar salários integrais a todo o quadro. Algumas conseguiram suportar esta despesa, porém, de modo geral a renda do trabalhador caiu, encolheram os postos de trabalho.
A safra em curso ocorreu em um ano que o trabalhador na indústria do tabaco sentiu muito os impactos da Covid-19, a atividade laboral tornou-se complexa, desafiadora no que se refere a manutenção de empregos e oportunidades, e acena com a mesma incerteza para 2021, especialmente no que se refere aos trabalhadores incluídos nos grupos de risco.
Porém é com otimismo que a Fentifumo olha para a próxima safra. Junto de seus sindicatos filiados nos três estados da Região Sul, mais Minas Gerais, temos uma perspectiva de safra em um ambiente melhor, a partir da retomada do país nas exportações do tabaco de qualidade, com geração de postos de trabalho. Nos preocupa, sim, a absorção da mão de obra.
Ao que tudo indica haverá uma certa retração no volume de contratações, por conta dos efeitos da pandemia na economia global. Nesta hora fica em evidência o nosso trabalho, das entidades que representam os trabalhadores. Nós devemos buscar, junto das empresas, uma atenção especial aos trabalhadores, para que estes não fiquem à margem na próxima safra.
Trabalho que precisa ser compartilhado com as lideranças políticas, para que olhem com carinho para o setor do tabaco, ampliando as ações para coibir o contrabando e redução na carga tributária no segmento. As empresas legais perdendo mercado e competitividade reduzem postos de trabalho e isto, em um mundo em pandemia, pode se tornar mais difícil ainda.
Aproveitando que estamos em período de eleições municipais, queremos lembrar que o tabaco está presente em mais de 600 municípios do país, gerando renda, oportunidade e desenvolvimento para estas comunidades. Nestes municípios – tanto naqueles que concentram a atividade industrial, quanto aos que detêm a produção agrícola, têm nesta atividade a mola propulsora de suas economias. E os gestores municipais, ao lado de seus vereadores, são os indutores das políticas públicas para representar o setor junto ao governo federal.
Queremos saber se estes candidatos à novos governos têm a percepção da importância do tabaco para as suas comunidades. Mais do que um discurso de apoio, esperamos que os nossos futuros novos mandatários municipais possam ser solidários à luta contra o contrabando e às restrições causadas pela elevada carga tributária. Votemos com consciência nisso.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

A reforma para favorecer o contrabando

Gualter Baptista Júnior

Mais uma vez o governo parece não ter a menor sensibilidade, ou parece fingir desconhecer a realidade do Brasil, no que se refere ao contrabando. O contrabando que não é só de cigarro, neste país, é de tudo. Se vende de tudo por meio de contrabando. São produtos de origem duvidosa, sem nota, para os quais a fiscalização parece fazer vistas grossas. A proposta de reforma tributária em discussão pelo governo, irá alavancar o contrabando.
No setor do tabaco o contrabando de cigarro já representa quase 60% dos cigarros consumidos no Brasil. Aí, ao dizer-se signatário de convenções, nas quais há uma tendência de redução no número de fumantes, o país esconde os reais dados, simplesmente por não saber, ou não ter como controlar a velocidade do contrabando no país. É mais fácil tomar medidas usando o poder da caneta para prejudicar empresas legais, que recolhem impostos, que empregam mais de 40 mil trabalhadores, estas sempre acabam penalizadas. Enquanto isso, o mercado informal que fomenta o crime, a violência e todos os problemas sociais não é enfrentado. Este enfrentamento exige trabalho. É mais fácil, aos olhos das entidades como a nossa Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo, punir quem está cumprindo com suas obrigações e gerando emprego, imposto e renda.
Sabemos da vista-grossa de todos que têm boa vontade. No Rio de Janeiro, por exemplo, a comercialização de cigarros se dá por meio da milícia e não das empresas constituídas. Por que o governo não acaba com isso? Por que o governo não vai atrás para limar o crime organizado, para retirar este braço do contrabando e punir o sonegador? É mais fácil, ao grupo de gênios – vamos dizer assim – lançar uma reforma tributária que só penaliza, só prejudica quem investiu, quem acreditou no Brasil e colocou capital neste país.
Além de prejudicar as economias e as empresas, no fim das contas, a penalidade maior é com o trabalhador desta cadeia, o trabalhador brasileiro, o trabalhador do ramo do tabaco, que na sua humilde existência não tem a menor força de combater o contrabando, ficando à mercê do governo, que edita medidas inócuas, que visam a arrecadação apenas e não favorecem ao trabalhador. O trabalhador será, mais uma vez penalizado pela incompetência do governo que não quer olhar que esta reforma proposta servirá, apenas para fechar o comércio legalmente constituído e sim, abrir de vez o mercado ilegal do contrabando.
Em um ano complicado para o trabalhador e para o todo mundo, que vive com toda esta dificuldade, fica sob a ameaça da aprovação de uma reforma que tornará inviável o comércio legal de cigarros no Brasil.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo (Fentifumo) e Mestre em Administração

Quanta coisa cabe em um ano?

Gualter Baptista Júnior*

Estamos celebrando um ano de conquistas, à frente de nossa federação. Há um ano, começávamos uma nova caminhada da Fentifumo, atenta às necessidades dos 40 mil trabalhadores do setor e suas famílias, mas sem descuidar da representatividade de nosso segmento.
Nos últimos 365 dias nosso cotidiano foi movimentado. Em Brasília, estivemos três vezes. Fazendo lobby nos gabinetes dos deputados e participando ativamente das discussões na Câmara Setorial do Tabaco, onde a Fentifumo confirmou seu acento. Somos todos pró-tabaco, sempre. Engrossamos o coro do setor na Anvisa, para liberação do cigarro eletrônico e a favor do combate ao contrabando, nossa bandeira é única na Capital Federal.
Estivemos na Bahia de todos os santos, conferindo a produção artesanal de nossos colegas do Nordeste do Brasil, afinal, todos somos um na luta a favor da nossa atividade. Na região Sul acompanhamos de perto o fechamento de unidades fabris em Santa Catarina e Paraná, lutando para a preservação do emprego, renda e trabalho dos nossos colegas. A indústria se ajustou, é fato, mas o trabalho é para a Fentifumo, sagrado.
Com a mesma tenacidade sentamos nas mesas de negociações salariais, junto dos nossos sete sindicatos filiados, para garantir a manutenção de direitos e a ampliação do poder de compra dos trabalhadores das indústrias do tabaco. Demos início a uma nova e esperançosa safra, com os olhos voltados para o fortalecimento de nossa atividade.
Junto das empresas e sindicatos fomos desafiados pela pandemia e batalhamos para garantir a segurança de nossos colegas dos grupos de risco, assim como a garantia de direitos àqueles que tiveram que ser retirados das linhas de produção for força da Covid-19. Tudo em nossa atividade está sendo colocado em cheque, e ao lado da indústria, não esmorecemos diante das dificuldades que nos preocupam, como a redução de trabalhadores na atual safra, uma triste realidade imposta ao setor sem chance de defesa.
Ao tentarmos responder a pergunta do título deste artigo, quase falta o fôlego para recordar o que podemos resumir em uma só frase. A Fentifumo vive um novo ciclo, uma aposta na parceria e no fortalecimento do nosso setor que é um dos mais importantes, oxalá, o mais relevante em nossa região, e precisa andar assim, de mãos dadas, com todos os elos desta cadeia produtiva legal e organizada. Apesar das dificuldades estamos felizes ao entender que não há limite de ações quando se caminha na mesma direção. Que venham os próximos dias, meses e anos, estamos prontos.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração

A esperança no pós-pandemia

*Gualter Baptista Júnior

Esta pandemia do novo coronavírus ascendeu diversas discussões e reflexões em nosso cotidiano modificando até mesmo o nosso pensamento. No país existe hoje uma divisão muito grande: de um lado há uma preocupação que é financeira, e não pode deixar de assim ser; de outro lado, a preocupação humana, com a vida. Aos poucos a gente vê que a preocupação com o homem está perdendo força.
Na realidade quando se olha para dentro da situação, especialmente na questão dos safreiros da indústria do tabaco, imaginando que este público já não encontra uma absorção igual no mercado de trabalho, nas atividades que não sejam do setor fumageiro, deixa esta dificuldade ainda mais saliente. Precisamos nos preocupar com a saúde orgânica e financeira deles. A chance de outras empresas absorverem esta mão de obra, que até o próximo mês estará em sua maioria já dispensada do trabalho neste ano, não está se confirmando. A crise financeira que se abateu sobre a economia é grande, e até julho, teremos 55% dos safreiros já desligados. Isto nos preocupa.
Santa Cruz do Sul só não foi mais prejudicada em sua economia, pois a indústria do tabaco está ativa. Os trabalhadores efetivos continuam atuando, recebendo seus salários, parte dos safreiros, aqueles que seguem ligados, também tem renda. A indústria do tabaco segura o município.
Mas os colegas safreiros irão sentir na pele a dureza dos tempos que se avizinham. O término de muitos contratos está sendo antecipado, outros talvez não consigam uma colocação em outras indústrias – como faziam ao término da safra do tabaco – em outros anos. Teremos um segundo semestre sombrio para estes.
A Fentifumo espera que em 2021, passada esta crise que a Covid-19 trouxe, as empresas possam contratar mão de obra, gerar novos empregos. Que os trabalhadores possam refletir sobre a importância de darem a sua contribuição e comprometimento aos seus empregos. A gente precisa olhar o fator econômico, sem descuidar do fator humano. Estas antecipações de fim de contrato têm impacto direto nestes trabalhadores que não têm oportunidade em outros segmentos. Esperamos que a economia seja retomada, que a vida possa continuar, que a saúde física seja recuperada e que possamos continuar nossa economia com segurança como sempre fizemos. Aos colegas safreiros, força!

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e mestre em Administração

O tabaco e a manutenção do emprego

Gualter Baptista Júnior*

Ao analisarmos os números do desemprego, podemos perceber o quão prejudicial está sendo a pandemia do novo coronavírus, e quão sensíveis nossas economias são. O desemprego instalou-se em nossa rotina, e todos precisamos encontrar a solução para o efeito que é mais do que de saúde em nossas vidas.
Apesar de ser extremamente combatido em fóruns e em posicionamentos contrários, muitas opiniões de forma leviana, inclusive, pois muitos falam sem conhecer a real importância que a cadeia produtiva do tabaco tem para o desenvolvimento, para a geração de renda e para o pequeno produtor.
Importante à empregabilidade de trabalhadores nas mais variadas faixas etárias. Profissionais que talvez não tivessem uma oportunidade, seja devido à idade cronológica que possuem, seja pelo grau de instrução formal que não possuem, se não fosse a indústria do tabaco, poderiam estar marginalizados do mercado de trabalho. Agora, mais do que nunca, a pandemia do novo coronavírus veio mostrar que a economia foi muito afetada, especialmente no que se refere aos empregos, infelizmente.
Porém, a situação nos mostra que é o setor do tabaco que passou, de certa forma incólume a esta crise, que tende a se acentuar agora. Isto porque, no quadro de colaboradores efetivos não houve demissões e nos postos de trabalhos sazonais foram feitos alguns ajustes. As empresas de tabaco seguem suas atividades, comprando e processamento o tabaco desta safra, sem maiores prejuízos aos trabalhadores, em especial as de maior porte.
Isso nos mostra que o setor do tabaco, além de ter sentido menos o drama do desemprego ainda tem contribuído para manter em atividade os seus trabalhadores. Muitos empregados, nos mais diversos segmentos, de atividades como comércio e prestação de serviços ficaram sem ocupação, dignidade e rendimentos por conta desta pandemia.
A Fentinfumo vem reforçar a importância do setor de tabaco pela geração de riqueza que proporciona em toda a sua cadeia produtiva. Ao reforço econômico que ele dá ao pequeno produtor, que, mesmo nessa pandemia, consegue comercializar a sua safra. Mesmo em meio a crise, a indústria está ativa e aposta na próxima safra.
Já os empregos gerados continuaram, em menor número, mas respeitando os trabalhadores. Nenhuma fumageira deixou seus empregados sem receber. A Fentinfumo salienta a importância que o setor do tabaco tem para a economia regional, estadual e nacional, como uma fonte de força, que faz girar a economia.
Mesmo em meio à crise, mesmo sem as garantias que a incerteza internacional provoca, a indústria segue em parceria com seus produtores e acreditando em uma retomada, com isso gerando empregos.
A Fentinfumo defende todo o setor do tabaco, não apenas os 40 mil empregos gerados diretamente, mais sim, estamos juntos, contra o discurso maldoso que desconhece a importância desta indústria. Tabaco é um produto legalizado, com leis severas que o regulam, e neste momento mostra a sua relevância para nossas vidas. Quem olha para este setor não deve vê-lo como um vilão, mas sim, como algo que gera renda, economia e prosperidade.

*Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentinfumo) e Mestre em Administração.

O legado do trabalho

Gualter Baptista Júnior*

Quando nos lembramos do dia 1º de Maio a primeira associação que feita é com o feriado. Feriado do Dia do Trabalho, do Trabalhador… Muitos esquecem de todo o simbolismo atrás desta data, que houve luta ao longo do tempo, travada para que se mostrasse que a sociedade só cresce quando todos, de alguma forma, colaboram fazendo a vida funcionar.
Ao longo dos séculos as formas de atender às necessidades de fazer a vida funcionar forram mudando. Nós elevamos o nível de necessidade da sociedade, e com isso, surgiram as organizações de trabalho, empresas e as relações trabalhistas. Da dificuldade do século 17, na Revolução Industrial, saímos para a produção em larga escala, em série, para atender aos anseios da sociedade. Para que esta dinâmica funcionasse, se estabeleceu o emprego, o trabalho, e o pagamento por ele. Hoje, por mais que se fale nos defeitos do capitalismo, ele acaba sendo a melhor forma de premiar quem produz. É lógico que existem distorções, que ao longo do tempo estão sendo aprimoradas. É inerente à natureza humana entregar algo que tenha sido feito, a partir das suas habilidades, e ser remunerado por isto.
Por conta disso, não deveríamos olhar para o trabalho como algo penoso, ou como uma simples relação de troca por dinheiro. É necessário entender que levantar todos os dias, ir ao trabalho é uma tarefa construtiva, jamais penosa. O que eu faço como trabalhador faz sentido para mim, para o próximo e para a minha sociedade. Nosso trabalho faz a diferença para alguém, ele dever ser visto por nós como uma dádiva, como uma bênção.
Todos nós, trabalhadores e empresários, devemos juntos olhar para esta relação de forma construtiva. Que o trabalhador possa olhar para sua atividade laboral e ver ela como um legado que faça sentido para ele. Que nossos anos de trabalho não sejam reduzidos à remuneração, apenas. Mas que sejam encarados como algo que transforma a sociedade e que satisfaça necessidades e nos engrandeça.
Que este atual momento nos ensine a olhar para as relações, sobretudo às de trabalho. Que o 1º de maio seja não apenas uma data de descanso. Que todos os dias sejam 1º de maio, no sentido daquilo que nos faz grandes. Que vibremos todos com esta data que homenageia a força do trabalho. Que o trabalhador seja visto não e apenas como uma peça, mas como uma alavanca para a sociedade. Parabéns a todos os trabalhadores, parabéns a quem consegue fazer do seu dia a dia motivo para acreditar em algo maior, numa construção coletiva. A todos estes, parabéns!

*Mestre em Administração e presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo)

A responsabilidade social na pandemia

Gualter Baptista Júnior*

Por mais que analistas e especialistas ou qualquer pessoa que pense que possa prever cenários econômicos, neste momento não se pode desconsiderar que o ser humano é muito frágil e as condições de sua vida podem mudar a qualquer momento. Dizemos isso sem qualquer conotação religiosa. É uma constatação física, de risco de contaminação e morte reais, que impõem que nos adaptemos a uma nova realidade. Esta mudança trazida com a obrigação do isolamento social nos faz ter que criar a condição de adaptação a uma nova realidade, e por isso sofremos. Não somos seres 100% resilientes.
Sofremos, pois não estamos acostumados a uma mudança tão rápida e drástica. As transformações feitas ao longo da vida não são – em sua maioria – repentinas como esta de agora. Teremos que repensar tudo, desde as formas de interação social até a capacidade de acatar as determinações de autoridades sanitárias para preservar a vida. Nossa geração nunca viu isso, talvez os nossos avós e bisavós, sim, sobretudo nas guerras.
Estamos vivenciando esta nova situação de uma posição muito próxima. O coronavírus não está distante, somente em outros países. Está aqui, no nosso dia a dia, convivemos com ele e os riscos que o covid-19 carrega. Estamos em uma nova realidade e por isso precisamos pensar nas relações de trabalho, na falta de renda do trabalhador. As empresas precisam pensar na relevância social a qual elas têm grande responsabilidade em garantir.
A Fentifumo acompanhou as negociações junto com seus Sindicatos filiados com todas as empresas. Acompanhamos também todas as medidas e as ações que foram tomadas, primeiro para garantir a saúde física dos trabalhadores, mas também buscou garantir junto às empresas, a saúde financeira do trabalhador.
Muitas organizações apregoam, em cenários favoráveis, no tempo comum, que pensam no próximo, que praticam a responsabilidade social. Aí quando aprece uma crise como esta, pensam em suspender salários. O trabalhador não precisa comer, não tem que receber? Certamente, a maioria dos assalariados não têm reservas financeiras, sem elas, faz-se o quê?
A suspensão de contratos por quatro meses, como simplesmente foi sugerida pelo governo federal é direta: suspenda o trabalho por quatro meses sem pagamento de salário. Ainda bem que foi revogado este decreto. Será que não seria mais justa e sensata a suspensão temporária do pagamento de impostos pelos empregadores e dar condições para que sigam pagando salários? É fácil para as empresas suspenderem contratos e não pagarem salários. O governo segue arrecadando impostos. E ao trabalhador resta o quê? Passar necessidades? É comprovado por diversos estudos que a fome estimular a violência, pois quem fica sem renda, além do no desespero, tem que passar pela humilhação de ter que pedir ajuda de porta em porta. A falta de renda fere a dignidade de qualquer trabalhador.
Esta nova realidade é desafiadora e ninguém está preparado para ela. Estamos tendo que aprender. Esta grande novidade nos mostrará, realmente, como são as organizações responsáveis. Elas também não têm culpa desta situação, mas precisam entender que para permanecerem ativas em seus negócios precisam pensar no trabalhador, que é o elo mais fraco nesta relação contratual.
O governo aguenta sem arrecadar tributos, a empresa também, pois a maioria tem fluxo de caixa para esperar um pouco pelo dinheiro das vendas e das exportações que serão retomadas logo mais. Mas o trabalhador sem sua renda mensal não aguenta 30 dias.
Esperamos que os discursos das empresas que usam os conceitos de sustentabilidade se sustentem neste momento. A sustentabilidade é ancorada no tripé Econômico, Social e Ambiental. Em um cenário normal eles dizem que aplicam essa Sustentabilidade, mas e agora? O viés ambiental se torna um pouco irrelevante neste momento de crise. O Econômico, certamente sai abalado. E o Social, fica de que jeito?
Suspender o contrato pode condenar o trabalhador a uma situação trágica. Esperamos que isso seja evitado. Demissão não deveria ser a primeira opção do empregador. No momento de fartura, os recursos humanos são preciosos, mas nos momentos de crise são descartados? Que a gente reveja as relações de empresa e trabalhador de uma forma positiva, e que a gente possa achar, em conjunto, a melhor forma de minimizar, para todos, esta situação sem precedentes em nosso tempo. A Fentifumo conclama às empresas para que possamos juntos buscarmos os melhores caminhos que sejam benéficos a todos.

Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo) e Mestre em Administração.