O Imposto do pecado (parte 1)

Gualter Baptista Júnior*

Enquanto o governo insiste na criação de mais um imposto sobre o cigarro, que quiçá deve ser o produto mais taxado deste país, neste momento nos incomoda o nome que a equipe econômica deu para esta proposta.

Para além de ser mais um entrave ao desenvolvimento de nossa cadeia produtiva, chamar o tributo de “Imposto do Pecado” irrita a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo).

Pecado, no dicionário, está descrito como a “violação de um preceito religioso, desobediência a qualquer norma ou preceito, falta, erro.” Nós, os mais de 40 mil trabalhadores da indústria do tabaco, queremos saber qual foi a falta, erro, ou quebra de preceito religioso que nosso produto que é um dos mais exportados do Brasil cometeu.

Quais são os nossos pecados? Trabalhar em favor do desenvolvimento de nossas cidades, ou sustentar mais de 40 mil famílias nas cidades e outras dezenas de milhares no campo? Trabalhar de forma honesta, colaborando com a economia, gerando divisas e receitas para o governo, por ora o nosso inquisidor?

O mais absurdo, acima da possibilidade de encarecermos ainda mais o preço de venda dos cigarros, é taxar este produto como fruto de um pecado, tal qual como matar, roubar, mentir, trair, todos verbetes que na Bíblia são descritos como pecados mortais dos homens.

A Fentifumo acredita que o governo precisa ter mais respeito com a cadeia produtiva do tabaco. Em um estado laico, chamar de “Imposto do Pecado” uma taxação em cima do cigarro e outros produtos como bebidas e doces, é no mínimo, despeitoso.

Se tem alguma ação ou atividade que precisa ser condenada em todas as esferas neste país chama-se Corrupção. Esta sim fere o direito de todos os brasileiros, sejam religiosos ou não, neste contexto mostra-se como um “pecado” muito maior. A corrupção mata, tira dinheiro da saúde, da educação, amplia o desemprego e, consequentemente, a falta de renda, ferindo a dignidade do povo brasileiro.

Esta é mais uma ação, entre tantas outras que mostra que o governo combate, massivamente, a produção de cigarros e toda a cadeia produtiva organizada no campo e na cidade, da qual a Fentifumo participa como ente representativo de toda a mão de obra empregada na atividade ligada a indústria do tabaco em nosso país.

Seguimos confiantes que nossa atividade legal e organizada não é pecadora. Que nosso inquisidor sim, falha na miopia proposital sobre a cadeia produtiva do tabaco. Temos a convicção que o trabalho dos 40 mil brasileiros espalhados nas linhas de produção da indústria do tabaco não é merecedor de mais esta penitência.

Mestre em Administração e Presidente da Fentifumo

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